Aula 6 - 08/08/06

Pesquisas de opinião revelam que 87% da população reconhecem que há racismo no Brasil, mas 96% dizem que não são racistas. Mas, então, como pode existir racismo sem racistas?
"Onde você guarda o seu racismo?”
Essa pergunta foi inclusive um dos pontos-chave da campanha desenvolvida pelo grupo Diálogos contra o Racismo – formado por 40 organizações da sociedade civil.
Meu objetivo de discussão de hoje é sobre a mídia brasileira. Dentre as revistas de informação semanal no Brasil, a revista Veja se destaca pela longevidade e número de exemplares em circulação.
A pergunta é: como os negros são retratados na Veja?
A idéia é provocar debates.
Fizemos um trabalho em sala de aula pesquisando nas edições dos últimos três meses, mensurando a quantidade de pessoas retratadas e a quantidade de negros em fotografias jornalísticas em publicitárias de capa, miolo a contracapa, além disso, inserimos a quantidade de personalidades e as representações sociais da presença negra nas revistas de maio, junho e julho.
Acompanhe nossa conclusão:Quantidade de pessoas retratadas em fotografias jornalísticas: 3027
Quantidade de negros: 311
Quantidade de pessoas retratadas em fotografias publicitárias: 1.107
Quantidade de negros: 72
Sendo que a maioria de todos os negros na revista foram retratados na grande maioria dos casos como jogadores de futebol, na música, como mão de obra desqualificada e principalmente na criminalidade.
Discutir o problema do preconceito racial no Brasil e as formas de enfrentamento e superação é um processo de diálogo constante, e importantíssimo para conseguirmos superar nossas diferenças e opções. Só será resolvido quando todos nós nos envolvermos e isso é fundamental para que tenhamos uma sociedade mais justa, mais igualitária e também para a promoção da cidadania. Os brancos não terão cidadania enquanto os negros não tiverem todos os seus direitos respeitados e implementados. O que os brancos têm não são direitos, são privilégios!


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